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        O Judo não é apenas uma luta corporal em que o objetivo é dobrar o adversário e força-lo a cair sobre o tatami. Do início ao fim dos treinos, o praticante é envolvido na riqueza de uma filosofia oriental que transforma a disciplina e o equilíbrio mental em formas de viver e encarar o semelhante. As palavras de seu fundador Jigoro Kano, sintetizam o princípio do Judo: "Pelo treinamento em ataques e defesas, educa-se o corpo e o espírito, tornando a essência espiritual do Judo uma parte de seu próprio ser". O judoca não deve encarar o esporte que pratica como uma válvula de escape às tensões habituais. No momento em que sair da sala de lutas, deve levar consigo o respeito, a perseverança e a humildade que mostra em cima do tatami. Os grandes mestres chegam a comparar cada ato praticado durante os treinamentos como um procedimento do dia a dia.
        Disciplina, respeito, educação, desenvolvimento da força física e técnica. As cinco regras básicas que o judoca deve seguir eram as mesmas seguidas pelos samurais que abandonavam aos poucos o aspecto guerreiro das artes marciais e se dedicavam ao aprimoramento cultural.
        A mudança ocorreu por volta de 1877, quando o Japão saía de um longo período de guerras e se preparava para os anos de paz e reconstrução. Jigoro Kano estudava na Universidade de Tóquio e se interessou pelo estudo dos aspectos agressivos do Jiu-Jitsu, cuja finalidade era formar guerreiros. Eliminou os golpes mais violentos e desenvolveu o Judo, fundando o Instituto Kodokan, escola que se transformou em templo da nova luta. A filosofia era oposta à do jiu-jitsu: em vez de guerreiros, Kano queria formar cidadãos pacíficos.
       Formando seus nove primeiros discípulos, ele começou a analisar os golpes de jiu-jitsu, transformando e adaptando, pesquisando até obter um sistema que aperfeiçoava o espírito e o corpo através do exercício e da competição. O crescimento do Judo em todo o mundo foi mais lento mas constante. O impulso decisivo aconteceu na Olimpíadas de Tóquio, em 64, quando se formou realmente um esporte de projeção internacional.
       Atualmente, o velho Kodokan tem mais de 500 tatamis para praticantes masculinos, femininos, crianças, principiantes e até seguidores de outros países. No Brasil, o Judo chegou em 1908, 25 anos após a fundação Ko-Do-Kan. Os primeiros imigrantes traziam na bagagem os segredos da luta desconhecida para os ocidentais e o primeiro a se destacar por aqui foi o professor Mitsuyo Maeda, conhecido como Conde Koma, judoca de quarto grau e de grande prestígio no Exterior. O professor Maeda ofereceu seus serviços à Academia Militar e o Exército Brasileiro acabou por incorporar o Judo aos seus treinamentos.
        Enquanto os imigrantes nipônicos espalhavam-se pelo sul do país, o aumentava o número de academia e praticante. A conseqüência foi que em 1956, quando os brasileiros participavam pela primeira vez de um torneio internacional. Obtêm um surpreendente segundo lugar no Campeonato Panamericano de Cuba.
        Atualmente a equipe brasileira é uma das melhores do mundo, e a tendência é subir ainda mais se for levado em conta o número de judocas praticantes em todo o país, e o orgulho de ter um campeão olímpico.

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